quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Comentário

Oi gente, este texto abaixo é um comentário feito por Arnaldo Jabor da carta escrita por Zé Roberto, jogador de futebol.
Coloquei aqui por que concordo exatamente com tudo que está escrito. E passo a vocês para que mais pessoas abram os olhos para nosso verdadeiro Brasil!!!

"A Verdade está na cara mas não se impõe.
Brasileiro é um povo solidário. Mentira.
Brasileiro é babaca.
Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida... pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza... aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade... não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito... não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.

Brasileiro é um povo alegre. Mentira.
Brasileiro é bobalhão. Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada.
Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai. Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.
Brasileiro é vagabundo por excelência. O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, p/ trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe - lá no fundo - que se estivesse no lugar dele faria o mesmo. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

Brasileiro é um povo honesto. Mentira.
Já foi; hoje é uma qualidade em baixa. Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.

90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira.
Já foi. Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa, e não concordava com o crime. Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas. Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.

O Brasil é um país democrático. Mentira.
Num país democrático a vontade da maioria é Lei. A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente. Num país onde todos tem direitos mas ninguém tem obrigações, não existem democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita. Se tirarmos o pano do politicamente correto veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores). Todos sustentados pelo povo que paga tributos que tem, como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar. Democracia isso? Pense nisso!

O famoso jeitinho brasileiro. Na minha opinião um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira. Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando prá quebrar. No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na>loto... Malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeões do mundo né? Grande coisa...

O Brasil é o país do futuro. Caramba, meu avô dizia isso em 1950.
Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avós se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram...
Brasil, o país do futuro!? Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.

Deus é brasileiro. Puxa, essa eu não vou nem comentar...
O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.

Para finalizar tiro minha conclusão: O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar.
Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bemassumam o controle do país novamente. Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão. Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce!
Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?"


Arnaldo Jabor.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Entrevista

Sei que este não é um blog pessoal, mas hoje estarei realizando minha primeira entrevista para minha possível primeira matéria, de trabalho para a faculdade.Estou anciosa e nervosa mas sinto que tudo dará certo.

Ainda estou no primeiro ano porém algo que tenho visto e aprendido é que não é pelo fato de sermos novos em alguma coisa que faremos nosso trabalho ou obrigação sem profissionalismo. Como diz um professor meu: " Você nunca pecará por fazer demais, mas sim por fazer de menos!". É, eu realmente acredito nisso e gosto de passar isso para todos ao redor.

Profissionalismo e seriedade talvez sejam características não muito marcantes nos brasileiros. Há muitas situações em que se estas duas fossem usadas os resultados seriam diferentes. Isso vem de casa, de pequeno. Todos sabemos que brasileiro é trabalhador, sofredor e luta por sues interesses (pessoais), não da nação, mas aqueles que abrangem no máximo sua própria família. Pode paracer egoísmo ou no mundo em que vivemos pode ser apenas sobrevivência!

Esse mês, na empresa onde trabalho, teve uma gincana solidária para arrecadação de alimentos e roupas. A empresa foi dividida em cinco equipes representadas por cores e a equipe ganhadora teria um prêmio final, uma confraternização entre eles. A princípio estava fluindo normalmente e depois virou uma competição pessoal. Houve críticas absurdas e denúncias falsas de trapaça de quem contava e pontuava os alimentos e roupas. A correria no último dia para ultrapassar um o outro. E no final acredito que todos esqueceram o verdadeiro objetivo da gincana, só para ter o prazer pessoal de dizer: Eu ganhei!

Essa competição e desespero de passar a outra equipe fez com que arrecadássemos mais de uma tonelada de alimento e mais de mil peças de roupas. Foi muito melhor do que esperávamos mas se tivesse tido junto com a competitividade o companheirismo e o foco no real valor da gincana, tenho certeza que o resultado dobraria.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

O vício e a maçã

Estava um dia desses voltando dos estudos. Era tarde, eu havia trabalhado e estudado muito naquele dia. Como sempre, peguei o trem, o metrô e fiquei na praça da Sé esperando o ônibus que me deixaria na porta de casa.

Foi então que olhei para o lado e vi um grupo de jovens. No meio deles estava um menino mal vestido e sujinho. Eles lhe deram um cobertor desses cinza cheios de pontos coloridos. Fazia muito frio aquela noite e imagino que deve ser horrível dormir na rua em madrugadas assim!

Não passou muito tempo, os jovens foram embora e veio o tal menino fazer pedidos no ponto de ônibus. Pediu para um, para outro e chegou até mim. Disse-lhe que não possuía dinheiro, mas que tinha uma maçã em minha bolsa.

Ele então balbuciou alguma coisa, olhando para o lado, não consegui entender. Pedi para que repetisse, e novamente não o compreendi. Perguntei à moça que estava ao meu lado se ela entendeu algo, mas igual a mim não conseguiu distinguir as palavras do menino. Ele vendo que não sairia nada de lá, foi embora.

Comentei a situação com a moça. Um homem próximo a um casal também pedia alguma coisa, qualquer coisa que fosse, pois estava com frio e fome. Ele estava bem vestido, porém falava lentamente, babava e implorava por algo para comer.

Eu não conseguia ver aquela cena, tinha que fazer algo. Ofereci a maçã antes recusada pelo menino. Quando cheguei perto senti o forte cheiro de álcool e então entendi que ele estava bêbado. Ele pegou a maçã e deixou-a cair no chão. Pegando-a novamente, olhava desacreditado no que tinha nas mãos. Eu cheguei a pensar que iria me atirar a maçã, porque na verdade queria dinheiro para sustentar o vício.

Mordeu um pedaço e ficou me olhando. Chegou mais perto e queria pegar em minha mão. Eu não entendia o que ele queria e as pessoas em volta ficavam me olhando, não sabia se estavam me reprovando, estranhando ou aprovando. Foi quando estendi minha mão ao homem, ele olhou nos meus olhos e disse: - Obrigado. Fiquei sem graça e confusa.

Meu ônibus chegou e fui embora, mas antes olhei novamente aquele homem e tentei adivinhar sua história.

Depois de tudo, dentro do ônibus, pensei como é incrível o que o vício pode fazer com as pessoas, a ponto de recusarem comida e oportunidades preferindo ficar distante da realidade.