segunda-feira, 30 de julho de 2007

Entrevista

Sei que este não é um blog pessoal, mas hoje estarei realizando minha primeira entrevista para minha possível primeira matéria, de trabalho para a faculdade.Estou anciosa e nervosa mas sinto que tudo dará certo.

Ainda estou no primeiro ano porém algo que tenho visto e aprendido é que não é pelo fato de sermos novos em alguma coisa que faremos nosso trabalho ou obrigação sem profissionalismo. Como diz um professor meu: " Você nunca pecará por fazer demais, mas sim por fazer de menos!". É, eu realmente acredito nisso e gosto de passar isso para todos ao redor.

Profissionalismo e seriedade talvez sejam características não muito marcantes nos brasileiros. Há muitas situações em que se estas duas fossem usadas os resultados seriam diferentes. Isso vem de casa, de pequeno. Todos sabemos que brasileiro é trabalhador, sofredor e luta por sues interesses (pessoais), não da nação, mas aqueles que abrangem no máximo sua própria família. Pode paracer egoísmo ou no mundo em que vivemos pode ser apenas sobrevivência!

Esse mês, na empresa onde trabalho, teve uma gincana solidária para arrecadação de alimentos e roupas. A empresa foi dividida em cinco equipes representadas por cores e a equipe ganhadora teria um prêmio final, uma confraternização entre eles. A princípio estava fluindo normalmente e depois virou uma competição pessoal. Houve críticas absurdas e denúncias falsas de trapaça de quem contava e pontuava os alimentos e roupas. A correria no último dia para ultrapassar um o outro. E no final acredito que todos esqueceram o verdadeiro objetivo da gincana, só para ter o prazer pessoal de dizer: Eu ganhei!

Essa competição e desespero de passar a outra equipe fez com que arrecadássemos mais de uma tonelada de alimento e mais de mil peças de roupas. Foi muito melhor do que esperávamos mas se tivesse tido junto com a competitividade o companheirismo e o foco no real valor da gincana, tenho certeza que o resultado dobraria.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

O vício e a maçã

Estava um dia desses voltando dos estudos. Era tarde, eu havia trabalhado e estudado muito naquele dia. Como sempre, peguei o trem, o metrô e fiquei na praça da Sé esperando o ônibus que me deixaria na porta de casa.

Foi então que olhei para o lado e vi um grupo de jovens. No meio deles estava um menino mal vestido e sujinho. Eles lhe deram um cobertor desses cinza cheios de pontos coloridos. Fazia muito frio aquela noite e imagino que deve ser horrível dormir na rua em madrugadas assim!

Não passou muito tempo, os jovens foram embora e veio o tal menino fazer pedidos no ponto de ônibus. Pediu para um, para outro e chegou até mim. Disse-lhe que não possuía dinheiro, mas que tinha uma maçã em minha bolsa.

Ele então balbuciou alguma coisa, olhando para o lado, não consegui entender. Pedi para que repetisse, e novamente não o compreendi. Perguntei à moça que estava ao meu lado se ela entendeu algo, mas igual a mim não conseguiu distinguir as palavras do menino. Ele vendo que não sairia nada de lá, foi embora.

Comentei a situação com a moça. Um homem próximo a um casal também pedia alguma coisa, qualquer coisa que fosse, pois estava com frio e fome. Ele estava bem vestido, porém falava lentamente, babava e implorava por algo para comer.

Eu não conseguia ver aquela cena, tinha que fazer algo. Ofereci a maçã antes recusada pelo menino. Quando cheguei perto senti o forte cheiro de álcool e então entendi que ele estava bêbado. Ele pegou a maçã e deixou-a cair no chão. Pegando-a novamente, olhava desacreditado no que tinha nas mãos. Eu cheguei a pensar que iria me atirar a maçã, porque na verdade queria dinheiro para sustentar o vício.

Mordeu um pedaço e ficou me olhando. Chegou mais perto e queria pegar em minha mão. Eu não entendia o que ele queria e as pessoas em volta ficavam me olhando, não sabia se estavam me reprovando, estranhando ou aprovando. Foi quando estendi minha mão ao homem, ele olhou nos meus olhos e disse: - Obrigado. Fiquei sem graça e confusa.

Meu ônibus chegou e fui embora, mas antes olhei novamente aquele homem e tentei adivinhar sua história.

Depois de tudo, dentro do ônibus, pensei como é incrível o que o vício pode fazer com as pessoas, a ponto de recusarem comida e oportunidades preferindo ficar distante da realidade.