Estava um dia desses voltando dos estudos. Era tarde, eu havia trabalhado e estudado muito naquele dia. Como sempre, peguei o trem, o metrô e fiquei na praça da Sé esperando o ônibus que me deixaria na porta de casa.
Foi então que olhei para o lado e vi um grupo de jovens. No meio deles estava um menino mal vestido e sujinho. Eles lhe deram um cobertor desses cinza cheios de pontos coloridos. Fazia muito frio aquela noite e imagino que deve ser horrível dormir na rua em madrugadas assim!
Não passou muito tempo, os jovens foram embora e veio o tal menino fazer pedidos no ponto de ônibus. Pediu para um, para outro e chegou até mim. Disse-lhe que não possuía dinheiro, mas que tinha uma maçã em minha bolsa.
Ele então balbuciou alguma coisa, olhando para o lado, não consegui entender. Pedi para que repetisse, e novamente não o compreendi. Perguntei à moça que estava ao meu lado se ela entendeu algo, mas igual a mim não conseguiu distinguir as palavras do menino. Ele vendo que não sairia nada de lá, foi embora.
Comentei a situação com a moça. Um homem próximo a um casal também pedia alguma coisa, qualquer coisa que fosse, pois estava com frio e fome. Ele estava bem vestido, porém falava lentamente, babava e implorava por algo para comer.
Eu não conseguia ver aquela cena, tinha que fazer algo. Ofereci a maçã antes recusada pelo menino. Quando cheguei perto senti o forte cheiro de álcool e então entendi que ele estava bêbado. Ele pegou a maçã e deixou-a cair no chão. Pegando-a novamente, olhava desacreditado no que tinha nas mãos. Eu cheguei a pensar que iria me atirar a maçã, porque na verdade queria dinheiro para sustentar o vício.
Mordeu um pedaço e ficou me olhando. Chegou mais perto e queria pegar em minha mão. Eu não entendia o que ele queria e as pessoas em volta ficavam me olhando, não sabia se estavam me reprovando, estranhando ou aprovando. Foi quando estendi minha mão ao homem, ele olhou nos meus olhos e disse: - Obrigado. Fiquei sem graça e confusa.
Meu ônibus chegou e fui embora, mas antes olhei novamente aquele homem e tentei adivinhar sua história.
Depois de tudo, dentro do ônibus, pensei como é incrível o que o vício pode fazer com as pessoas, a ponto de recusarem comida e oportunidades preferindo ficar distante da realidade.
Foi então que olhei para o lado e vi um grupo de jovens. No meio deles estava um menino mal vestido e sujinho. Eles lhe deram um cobertor desses cinza cheios de pontos coloridos. Fazia muito frio aquela noite e imagino que deve ser horrível dormir na rua em madrugadas assim!
Não passou muito tempo, os jovens foram embora e veio o tal menino fazer pedidos no ponto de ônibus. Pediu para um, para outro e chegou até mim. Disse-lhe que não possuía dinheiro, mas que tinha uma maçã em minha bolsa.
Ele então balbuciou alguma coisa, olhando para o lado, não consegui entender. Pedi para que repetisse, e novamente não o compreendi. Perguntei à moça que estava ao meu lado se ela entendeu algo, mas igual a mim não conseguiu distinguir as palavras do menino. Ele vendo que não sairia nada de lá, foi embora.
Comentei a situação com a moça. Um homem próximo a um casal também pedia alguma coisa, qualquer coisa que fosse, pois estava com frio e fome. Ele estava bem vestido, porém falava lentamente, babava e implorava por algo para comer.
Eu não conseguia ver aquela cena, tinha que fazer algo. Ofereci a maçã antes recusada pelo menino. Quando cheguei perto senti o forte cheiro de álcool e então entendi que ele estava bêbado. Ele pegou a maçã e deixou-a cair no chão. Pegando-a novamente, olhava desacreditado no que tinha nas mãos. Eu cheguei a pensar que iria me atirar a maçã, porque na verdade queria dinheiro para sustentar o vício.
Mordeu um pedaço e ficou me olhando. Chegou mais perto e queria pegar em minha mão. Eu não entendia o que ele queria e as pessoas em volta ficavam me olhando, não sabia se estavam me reprovando, estranhando ou aprovando. Foi quando estendi minha mão ao homem, ele olhou nos meus olhos e disse: - Obrigado. Fiquei sem graça e confusa.
Meu ônibus chegou e fui embora, mas antes olhei novamente aquele homem e tentei adivinhar sua história.
Depois de tudo, dentro do ônibus, pensei como é incrível o que o vício pode fazer com as pessoas, a ponto de recusarem comida e oportunidades preferindo ficar distante da realidade.

2 comentários:
Bom dia mocinha, aprovo sua nova atitude, sempre é bom pessoas desenvolvendo suas próprias opiniões. Pode deixar que vou passear aqui sempre, boa sorte....
Sabe, essas coisas me deixam emocionada e confusa também. Uma vez tive que entrevistar um mendigo e não conseguia entender o que ele dizia. Moradores de rua passam por um processo de exclusão social tão intenso que parece que até falam uma língua diferente da nossa. É triste, mas é a realidade, né? =/
Acho que muitas vezes o que essas pessoas precisam não é nem de dinheiro, mas sim de um contato com outras, um gesto como a maçã que vc ofereceu ou um "bom dia" de alguém que passa. Uma vez um bêbado ficou muito feliz quando eu retribui o "oi" dele. Esses gestos fazem com que as pessoas não percam a noção de que são humanas, o que, acredito eu, é o maior valor do homem: poder expressar sua humanidade, relacionar-se socialmente.
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